segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A fé

Nesse último final de semana fui visitar minha irmã em Santa Maria que estava em cartaz como espetáculo As linhas de Elise no Teatro Caixa Preta. A peça discorre sobre situações do dia-a-dia, sobre o comportamento humano, mas com um olhar original e pungente, dando ao cotidiano um certo brilho e bom-humor.

No último Ato, "A fé", a personagem da minha irmã, rodopia ao som de Pour Elise e cai no chão, embriagada pela tontura daqueles círculos incessantes, e deitada ali, encarando o céu, ela diz:

Eu sou forte como um cavalo novo, com fogo nas patas, correndo em direção ao mar. Eu sou forte como um cavalo novo, com fogo nas patas, correndo em direção ao mar! Deus eu não vou lhe incomodar! Eu juro. Pode ficar aí. É só pra ficar olhando. Eu vou me levantar daqui sozinha e vou voltar a correr porque é da Ordem. E se for necessário eu vou começar tudo de novo. (Ela se levanta.) Vou acordar de manhã, fazer o café e ligar a secretária eletrônica, o alarme, e vou colocar cacos nos muros e olhar meu jardim e correr novamente. Porque eu sou forte, porque eu sou forte. E vou criar outros instantes, e ninguém vai perceber que estou criando, porque todos vão se envolver! TODOS! E que venham os fins, que venham todos os fins porque eu sei recomeçar, eu sei! Eu sei! Quem respira por mim? Quem respira por mim? Porque eu sou forte como um cavalo novo, com fogo nas patas, correndo em direção ao mar. CORRENDO EM DIREÇÃO AO MAR. CORRENDO EM DIREÇÃO AO MAR. (Ela sai correndo, para fora do palco.) CORRENDO EM DIREÇÃO AO MAR. CORRENDO EM DIREÇÃO AO MAR. CORRENDO EM DIREÇÃO AO MAR. CORRENDO EM DIREÇÃO AO MAR. CORRENDO EM DIREÇÃO AO MAR. CORRENDO EM DIREÇÃO AO MAR. CORRENDO EM DIREÇÃO AO MAR. CORRENDO EM DIREÇÃO AO MAR.

Não é necessário dizer que fui as lágrimas. Foi lindo e comovente.



Em tempo:
No espetáculo, "a mulher", personagem da minha irmã, tinha um envolvimento com "o lixeiro" e me pareceu tão verdadeiro e intenso (sim, mesmo sabendo que era encenação). Imaginem minha surpresa, quando na noite seguinte, ao chegar no Caixa, dessa vez para assistir ao monólogo "O afogado mais bonito do mundo", eles, a mulher e o lixeiro, se cumprimentaram com um seco e simples "oi". Eu não acreditava. Daí, então, surgiu Theodor Adorno(!) "A arte é uma magia que liberta a mentira de ser verdadeira".

4 comentários:

gulaginha disse...

Nossa!!! Que legal que nós conseguimos te provocar desse jeito!!! Fico muito feliz e acredito que a Amanda também. Queremos muito seguir com esse espetáculo porque acreditamos nele!!!

Mariana Lohmann

a_girl_feeling disse...

Essa peça é maravilhosa! Sem dúvida despertou meu olhar para a riqueza do cotidiano! Quero estar na primeira fila, numa próxima apresentação! Sucesso pra vcs!! :)

daniel.ferreira.rosa disse...

Bah eu tive a oportunidade de assistir essa peça
aqui em rosário eu achei a melhor peça que teve
tipo os atores ficaram perfeitos no papel
Eu tenho 15 anos e nem gosto dessas coisas de peça e tal mas eu achei fantástica a peça
eles estão de parabéns estou torcendo que vocês ganhem

a_girl_feeling disse...

Concordo com você Daniel!! Excelente direção e atores maravilhosos!! Um grande espetáculo!! :) Obrigada pela visita!! bjs