quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Ontem

Esses são meus amados avós maternos. Eu não sei o ano dessa foto, mas dá pra ver que é bem antiga, não havia nem calçamento na rua. Contudo, reconheço a casa azul onde moramos com meu avô depois que minha avó faleceu. Minha vó deixou este mundo antes que eu pudesse me entender por gente (era só um bebê) e não pude conhecê-la bem. Apesar dessa separação trago viva a memória de uma mulher com presença marcante, determinada e guerreira, que cozinhava bem e gostava de se arrumar. Eu acho que tenho um quê dela. Dessa memória que construí do que dizem e das fotografias, percebo que ela era um eixo que unia todos. Tanto que uma vez, para um trabalho de escola pedi ao meu avô que contasse como eles haviam se conhecido e num breve relato tudo girou em torno dela:

Minha querida companheira Lourdes
Eu a conheci no inicio de 1948. Em abril começamos nosso puro amor e em julho noivamos. Em 23 de outubro de 1948 casamos com a benção de Deus. Ela nasceu em 1929 e tivemos cinco queridos filhos. Em 18 de maio de 1986, uma doença, ela faleceu e assim Deus a levou para sempre. Só ficando saudades eternas.
Nelson


Eu fico co-movida com o amor lindo do meu vô Nelson, pela minha vó Lourdes. Era verdadeiro, era forte, foi pra sempre. Embora pudesse, ele não se casou novamente. Viveu o resto de sua vida para os filhos e netos.

E o tempo passou. E eis aqui os fundos da casa azul. A justificativa da foto que minha dinda tirou era a neve. Meu avó carrega no colo meu primo e minha irmã, Matheus e Amanda que tinham seus dois aninhos. E eu ali do lado (cinco aninhos). Pra mim essa foto é muito especial, apesar da neve. Porque ela trás uma verdade, a representação de uma infância feliz.

E nessa mesma casa azul, como eu e minha irmã brincamos na terra, fazendo buraco, fazendo bolo de mentirinha. E subíamos nas árvores e nos muros. Tomávamos banho de chuva e de mangueira no verão. Tudo sob o olhar cuidadoso do meu vô. Esse vô incansável que descascava laranja, fazia ovo quente e comprava chiclete sabor tuti-fruti (as vezes hortelã) pra gente. Que nos levava pra escola e ajudava com os temas. Um vô que dava uma caixa de bom-bom quando a gente fazia aniversário e gostava de jogar baralho. Um vô cheio de paciência, um ser humano raro. Eu acho que não tenho muito dele, meu pavio é curto, curtíssimo.

Quando viemos morar em nosso atual apartamento, eu tava feliz. Mas meu pai me disse que eu sentiria saudades daquela casa e dos momentos que ali vivi. Ele tava certo. Eu tenho muita saudade.

Muitos anos se passaram desde aquela foto. E novos anos vieram. E meu avô, num susto, também partiu. Eu já tinha 15 anos e não foi fácil. Foi difícil aceitar que não havia outra escolha, que ele simplesmente tinha ido pra nunca mais voltar. Mas eu gosto de pensar que ele foi se encontrar com seu único e grande amor, a minha vó.

2 comentários:

Betina disse...

Nati, amei o texto, to aqui toda emocionada, claro, de lembrar deles e do amor deles q une nossa familia ate hj!! Te amo, bjaoo bê!

a_girl_feeling disse...

É eles partiram, mas deixaram muito deles em nós! Ainda bem :) bjsss